aïmant

Em aïmant, Ilana Lichtenstein exibe pela primeira vez o trabalho « Ensaio sem título » (2012, pigmento mineral sobre papel algodão, 90 x 90 cm cada). Composto por seis fotografias em branco e preto impressas em um papel especial e suspensas através de ímãs, o « Ensaio sem título » é fruto de um estudo sobre como fotografar pode ser uma maneira de tocar através da luz. Essa meditação que o conduz surgiu a partir do relato particular de uma diretora de cinema: Ela, que nunca havia trabalhado com iluminação para teatro, foi convidada justamente a iluminar o monólogo de uma atriz por quem estava apaixonada, e com quem nunca havia estado. Contou que, à distância, manejando os refletores, sentia que a estava tocando com a luz. Pontos de combinação entre a distância e a proximidade, nesse sentido, norteiam as imagens produzidas para o trabalho.
A conjectura de efetivamente alcançar alguém por meio de uma ‘luz tátil’ ganha corpo quando encontramos referências de que no mundo greco-romano a luz era também concebida como esse algo físico, saída dos objetos em direção aos olhos. “É a mesma causa que move o tato e a vista”, afirmou Lucrécio, em citação referida no texto “Fenomenologia do Olhar”, de Alfredo Bosi.

A série « Uma e outra erupção » (2011, pigmento mineral sobre papel algodão, 20 x 30 cm cada), vencedora do Prêmio Diário Contemporâneo 2012 e exibida nas cidades de Belém e Barcelona, é apresentada pela primeira vez em sua versão completa em São Paulo: dezesseis fotografias, dispostas em variações de dípticos, trípticos e sozinhas, e em diferentes alturas da parede - a dos olhos, uma acima e uma abaixo - formam uma instalação de 7 metros em que a ideia é convidar a uma aproximação lenta, que possa abrir no espectador um espaço para visitar suas paisagens interiores, termo presente na obra do escritor Caio Fernando Abreu. A ideia não é gerar um acesso a um passado que estaria abrigado no fotograma, mostrar paisagens ou personagens marcados ali, mas sim, através de sugestões de um tempo suspenso, poder puxar em quem vê outras memórias da mesma densidade de semelhança. Nas palavras de Mariano Klautau Filho, curador do Prêmio Diário Contemporâneo,

“O que são as pequenas histórias de Ilana Lichtenstein, senão as nossas próprias histórias muitas vezes ancoradas entre a cama e a paisagem? Sim, são histórias de uma vida singular e de uma memória visual existente na passagem de um dia, de um mês, de um tempo cronológico e vivido. Porém, quando a artista realinha essas fotografias, observando a potência de cada uma delas como imagem e suas significações como uma cadeia, abre essa experiência ao público, divide com ele essa história, instiga-o, lhe oferece enigmas e soluções, revela-o.

foto: Fábio Messias

Da exposição fazem parte ainda as imagens de « lugar » (2012, pigmento mineral sobre papel algodão, 40 x 60 cm a 60 x 90 cm cada fotografia) e trabalhos da « série Branca » (2012, pigmento mineral sobre papel algodão, 110 x 154 cm).

Ilana Lichtenstein (Dezembro 1986, São Paulo). Estudou na Escola de Comunicações e Artes da USP e na Universidade Paris-Sorbonne, onde desenvolveu uma pesquisa sobre imagem e memória. Participa da primeira turma do programa de pós-graduação coordenado por Rubens Fernandes Jr., Georgia Quintas e Ronaldo Entler na FAAP, onde, em janeiro de 2013, apresentará os resultados de sua pesquisa sobre a materialidade na fotografia. Foi selecionada pelo PhotoEspaña de Madri para o Transatlantica Visionados na Costa Rica em 2012. Seus trabalhos foram exibidos em « Casualmente fotografía », com Levan Tsulukidze, na Paradigmas Galeria de Barcelona; nos festivais Paraty em Foco 2011 e 2012 e no Fotograma 11 de Montevideo; no Museu de Arte de Ribeirão Preto; na 43a. Anual Arte Faap; nas coletivas «Fábulas e Encontros» (curadoria Georgia Quintas), «Presenças» (Mario Gioia) e « Simbiose », « Vicissitudes », « 12 exemplares », entre outras. Recebeu o “Premio Diário Contemporâneo de Fotografia” por « Uma e outra erupção », série adquirida e exibida pelo Museu Casa das Onze Janelas, em Belém. É representada pela Galeria Virgilio, onde apresenta sua primeira exposição individual, em dezembro de 2012.


Evento: Aïmant - exposição de Ilana Lichtenstein
Abertura: Quarta-feira 12 de dezembro de 2012 às 19:30h
Período expositivo: de 13 de dezembro de 2012 a 12 de fevereiro de 2013

Local: Galeria Virgilio
Endereço: Rua Virgílio de Carvalho Pinto, 426
CEP 05415-020, Pinheiros, São Paulo - SP
Telefone: (55 11) 2373 2999
Horários: de segunda a sexta, das 10 às 19h; e sábados, das 10 às 17h
Entrada franca e livre

rua dr. virgilio de carvalho pinto 426 Pinheiros | 05415-020 | São Paulo SP | +55 (11) 2373.2999