“Vazio Inventado”- Amália Giacomini
As experiências de Amalia Giacomini são da ordem do ar. Ao contrário de uma desmaterialização do objeto, se pensarmos em como o ar atravessa e faz parte da natureza de seus objetos, a investigação de Giacomini percorre a necessidade de tornar visível o vazio. A forma e o título de uma de suas obras (Aeroplano) criam uma associação nominativa e fenomenológica entre leveza e fuga para o espaço. Nesse deslocamento entre ser e conter ar, seus objetos nos interrogam sobre a sua aparência ao mesmo tempo em que fundam e ocupam um espaço, sempre por meio de uma economia de gestos e métodos que potencializam as qualidades do material

No limite entre linha e materialidade, o grid é exposto em um intervalo ambíguo que manifesta aparência e dissolução. Nessas formas camufladas sobrepostas por elásticos, a aparente ausência é um exercício para se refletir sobre como a linha pode ser formadora de paisagens. Ao delimitar áreas partindo de um gesto mínimo (de sobrepor linhas), a artista cria uma relação de figura e fundo, permitindo uma continuidade e ao mesmo tempo desvios em uma chamada pintura de paisagem.
Giacomini não usa pincéis ou tintas nem muito mesmo relações miméticas com a natureza, mas é a ilusão de perspectiva que a aproxima e a afasta da pintura. Esse caráter fronteiriço em seu trabalho também é ressaltado por sua característica instalativa, isto é, suas formas não “desempenham” a função de preencher e ocupar sua própria espacialidade, mas re-ordenam a percepção acerca do entorno.
O espaço é “fabulado”: ampliado, deformado, demarcado e esticado. Na ação de traçar linhas e superfícies, seus objetos enganam a nossa percepção. A escolha pelos elásticos corrobora essa idéia de moldar o mundo que está impregnada no trabalho da artista. Ela faz uso de uma construção manual no emprego dessas tramas, o que implica que a disposição dos vetores instaure leves distorções que lançam dúvidas sobre a aparência e visibilidade de seus objetos.

Os objetos de Giacomini delimitam uma ocupação de espaço, mas não o invadem. Desenham volumes virtuais e convidam o olhar a percorrê-los, entre uma rede de vazios que os atravessam. Os caminhos são múltiplos: não há um ponto de partida ou término. O espaço está demarcado mas ao mesmo tempo é fluxo. Nesse estado de acontecimentos poéticos, o compromisso desses objetos que são atravessados pelo olhar é com a invenção.

Em sua mostra amalia apresenta 8 obras.
Amalia Giacomini Vive e trabalha no Rio de Janeiro. Formada em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de São Paulo (FAU-USP) Amalia Giacomini vem obtendo expressivo destaque no circuito nacional, tendo participado da recente edição do programa Rumos Artes Visuais – Trilhas do Desejo, do Instituto Cultural Itaú (curadoria de Paulo Sérgio Duarte), da mostra Ponto de Equilíbrio (curadoria de Agnaldo Farias e Jacopo Crivelli), da 63a edição do Salão Paranaense, entre outras.
Nos últimos anos tem exposto seu trabalho em importantes instituições do país, como o Centro Universitário Maria Antonia da USP (São Paulo), Centro Cultural São Paulo, Museu da Casa Brasileira (São Paulo), Instituto Tomie Othake (São Paulo), galerias da FUNARTE (Rio de Janeiro), Centro Cultural Sérgio Porto (Rio de Janeiro), Museu de Arte Contemporânea do Paraná (Curitiba) e MAC de Niterói. Fora do Brasil apresentou no ano passado a exposição individual Liberér l’horizon reinventér l’espace, na galeria da Cité des Arts em Paris. Na mesma cidade participou, em 2005, da Exposição Comemorativa do Ano do Brasil da França realizada pela FUNARTE/ MinC.
Em 2010, Amália concluiu o Mestrado em Linguagens Visuais pela Escola de Belas Artes da UFRJ. Seu trabalho é representado no Rio de Janeiro pela Galeria Mercedes Viegas, e pela Galeria Virgílio em São Paulo.



“Mostra Vicissitudes” curadoria de Claudio Matsuno
Vicissitudes  sf 1. Mudança ou variação de coisas que se sucedem. 2 Contingência.in
Assim Aurélio define a palavra que proponho para definir este conjunto de trabalhos de 11 (onze) artistas que juntos parecem estabelecer uma unidade distinta mas com uma pluralidade de constante alternância no seu todo.
 
Vicissitudes é essa variação despojada cujos valores estéticos já não são adereços e sim virtudes, informal por natureza e desafiador pela sua extensa gama de repertório.
Aqui essas mudanças são meras situações imaginárias que estabelecem uma conjuntura dentro de uma realidade "inventada" e pressuposta. A diversidade das propostas apresentadas apontam para esta vontade da captação através das figuras, das paisagens, das memórias e da própria matéria em si. Mas aqui, ela não se protagoniza ou se auto impõe pois tudo não passa de resquício de um “instante” congelamento de uma situação não sublime mas efêmera em seu ato do captar o momento. Esta mudança se deve muito mais ao olhar do espectador e não do proposto pelo artista, não é explícita mas premeditada pela  situação que ainda está para surgir ou que está para expirar diante da nossa postura frente a cada  obra exposta.



Artistas participantes
Armando Queiroz, Claudio Matsuno, Filipe Berndt, Ilana Lichtenstein, Leopoldo Ponce, Luciano Zanette, Martinho Patrício, Nilson Sato, Rafael Pagatini, Reynaldo Candia Tatewaki Nio




Claudio Matsuno
Nasceu em São  Paulo, 1971. Licenciado em  Artes  Plásticas pela Faculdade de Belas Artes de São Paulo, em 1995 também freqüentou diversos cursos de monitoria em artes, museologia e oficinas de pintura e desenho. A partir de 1998 participa de inúmeros salões conquistando vários prêmios. Realiza diversas coletivas e individuais pelo país como Belo Horizonte, Salvador, Belém, Ceará e Curitiba, além de participações de editais do Paço das Artes e do Centro Cultural São Paulo. Direciona sua pesquisa nas produções de desenhos, instalações e site specific defendendo sempre a idéia da investigação do improviso em seu trabalho. Matsuno tem obras em importantes acervos de museus como nas coleções de Gilberto Chateaubriand no MAM do Rio de Janeiro, MASC de Santa Catarina, no MARP de Ribeirão Preto além de outras instituições particulares. Atualmente tem desenvolvido experiências curatoriais independente organizando exposições com artistas do Brasil e exterior. Claudio vive e trabalha em São Paulo.



Abertura: 19 de outubro, quarta feira, a partir das 20 horas
Período expositivo: de 20 de outubro a 12 de novembro de 2011


Local: Galeria Virgilio
| Entrada livre e franca
Endereço: Rua Virgílio de Carvalho Pinto, 426 Pinheiros, São Paulo SP
Segunda a sexta, das 10 às 19h
Sábados e feriados, das 10 às 17h

rua dr. virgilio de carvalho pinto 426 Pinheiros | 05415-020 | São Paulo SP | +55 (11) 2373.2999