RELEASE

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Fabio Flaks

Parcial - coletiva de acervo
Adams Carvalho - João Paulo Leite - Felipe Cohen - Biassino - Tatiana Blass - Marcelo
Cipis - Ivens Machado - Valentino Fialdini - Wagner Malta Tavares - Marcus Vinicius
Curadoria José Augusto Ribeiro

Exposição:      Fabio Flaks / Parcial- coletiva de acervo

Abertura:                   04 de abril às 20h.

Período:                    05 a 25 de abril 2006

Horário:                     Segunda a sexta das 10h às 19hs - Sábado das 10h às 17hs


Piso 1
Fabio Flaks

Exposição Individual

Fabio Flaks apresenta em sua exposição individual um conjunto de trabalhos que combina pinturas, desenhos e fotografias que aprofundam sua pesquisa que tem como foco o conceito de vazio.
Estes trabalhos revelam uma busca para se alcançar o vazio a partir de nossos espaços corriqueiros. É uma necessidade de remover os elementos de nosso mundo tangível para dar lugar a novas possibilidades de criação.
Na série de desenhos feitos com massa corrida e tinta acrílica sobre folhas de caderno a superfície da parede apaga compromissos e anotações do dia-a-dia.
Espaço” (2004) é um grande desenho de grafite sobre papel com 208x588cm que representa uma perspectiva de um ambiente vazio em proporções reais. Nele toda a superfície do papel é preenchida pelos traços do lápis grafite a não ser as linhas de definem esta perspectiva.
As fotografias intituladas “Pintura” (2006) mostram paredes de um apartamento onde quadros foram retirados.
Vago” (2005. óleo sobre tela, 40 x 30cm) retrata uma verga. Uma busca por revelar pequenos vazios em nossos espaços íntimos.
When routine bites hard” (2006. óleo sobre tela, 30 x 50 cm) retrata a banda Joy Division no clipe da música Love will tears us apart que tem como primeira estrofe as palavras que dão título à esta pintura.
A alusão ao espaço físico está presente em todos os trabalhos na forma das linhas retas das perspectivas ou pelo próprio material das paredes, projetando-se uma arquitetura do menos, do limpo e do exato.
Estes diferentes trabalhos somam-se para dar um sentido mais amplo a busca deste vazio utópico, seja pelo paradoxal processo de se adicionar matéria para apagar referências ou significados de nosso cotidiano, na ação de simplesmente retirar, no simples movimento de buscar pequenos espaços vazios em nossos cubículos ou, num plano mais emocional enxergar o vazio de nossa rotina.

As obras expostas serão:
03 fotografias:
Pintura, 2006, fotografia, 100 x 100 cm
Pintura, 2006, fotografia, 100 x 80 cm
Pintura, 2006, fotografia, 100 x 80 cm

01 desenho em grafite:
Espaço, 2004, grafite sobre papel, 208 x 588 cm

06 desenhos de massa corrida e tinta acrílica sobre folha de caderno:
Dimensões; 21,00 X 14,80 cm e 21,00 x 30,00 cm


02 Pinturas:
Vago, 2005,óleo sobre tela, 40 x 30 cm
When routine bites, 2006, óleo sobre tela, 30 x 50 cm

Tamanho maior: 208 x 588 cm
Tamanho menor: 21 X 14 cm

Preços:
de R$ 800,00 e R$ 3.500,00


Texto:

O vazio se constrói pelas bordas; não é mera ausência de matéria, se requer limites físicos para a contenção do que se chama de “nada”. Mais do que isso, campos imediatamente identificados como vazios nas imagens que compõemesta mostra de Fabio Flaks são áreas preenchidas, ocupadas, cobertas, indisponíveis, claustrofóbicas. Mesmo as representações de ausência reiteram, com marcas do tempo, presenças anteriores.

A série de fotografias intitulada Pintura registra os sinais deixados na parede por quadros que saíram de seus lugares depois de anos. A ampliação dos instantâneos em tamanho real deixa nítidos pregos, buracos sem pregos, a rugosidade da parede e o contorno das molduras onde o pó se acúmula. Sobre a imagem da falta de uma pintura, prevalece outra, da memória de um quadro que não se pode ver e que permaneceu numa única posição tempo suficiente para gravar ali sua silhueta. Por isso, bastam-lhe as margens.
Nos trabalhos realizados com folhas pautadas de caderno, também existe um suposto apagamento de informações, que o artista insinua tê-las jogado nos títulos. São desenhos feitos com massa corrida e tinta acrílica preenchendo, com exatidão, a área entre duas ou mais linhas, de uma à outra margem do suporte. O campo cego de cada folha imita a superfície de uma parede, erguida, aqui, para obstruir o que seriam as anotações de agenda que nomeiam peças como Ver preço 18,00 fazer foto e Quarta 11:00 5º andar tentar alternativa. O resto da folha preserva as pautas sem uso, enquanto a área revestida de matéria faz-se passar por vão, como se o espectador pudesse ver estampado no papel, a parede onde está a moldura.
O mesmo descontentamento com o vácuo da rotina é manifesto no título da pintura When routine bites hard, extraído do primeiro verso entoada na música Love will tear us apart, do grupo inglês de pós-punk Joy Division.
A tela reproduz, com fidelidade realista, um fotograma do videoclipe desta canção, em operação que paralisa e cala o sentido de origem da peça promocional. A outra pintura da exposição, Vago, traz ao centro um espaço compacto e firme que exerce, na composição, a função de um campo vazio. O “tema” da imagem é uma verga, a viga que se apóia nas ombreiras das portas. Na parte inferior da tela, existem indicações de livre passagem, a porta aberta, um corredor a seguir e um campo de profundidade... Mas a despeito de significados metafóricos, a vista repousa é no branco chapado e luminoso da viga.
Nova pista de que o vazio não significa uma possibilidade para o corpóreo nesta mostra. Se existem cantos vagos por aqui, estes são destinados somente a projeções.
O Espaço, por exemplo, representa um ambiente desolador com densidade que o torna opressivo, sem porta nem janela. O desenho se constitui de 98 folhas de papel que, agrupadas na parede, compõem a perspectiva de um espaço arquitetônico desocupado, figura que não surge exatamente da fricção do grafite sobre o suporte, mas das linhas brancas não preenchidas pelo lápis.
O contorno de paredes, teto e piso é a única área intacta das folhas; todo o resto foi rabiscado.
Dito de outro modo, o labor do artista, materializado em gestos repetidos numa grande área, não integra as arestas que realmente estruturam o ambiente. Talvez porque as condições de trabalho nos dias de hoje estejam rebaixadas demais, apesar de o vazio ter limites.

José Augusto Ribeiro



Piso 2
Parcial : Coletiva do acervo da galeria, curadoria de José Augusto Ribeiro.


Artista participantes:
Adams Carvalho, João Paulo Leite, Felipe Cohen, Biassino, Tatiana Blass, Marcelo Cipis ,Ivens Machado, Marcus Vinicius, Wagner Malta Tavares, Valentim Fialdini.

José Augusto Ribeiro é jornalista, mestrando em História da Arte pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP). Integra o conselho editorial da revista “Número” e os grupos de crítica de arte do Centro Universitário Maria Antonia, Centro Cultural São Paulo e Paço das Artes, além de colaborar regularmente para as publicações Artnexus‰ (Colômbia) e “Bravo!”. Foi editor do “Caderno Videobrasil” e curador da mostra “Vol.”, em colaboração com Fernando Oliva, na galeria Vermelho.


Texto:

Parcial não se organiza em torno de um tema ou conceito que sintetize determinadas características da produção recente de arte no Brasil. Não se restringe a um meio, suporte ou linguagem, nem pretende dar conta do diversificado espectro artístico representado por esta galeria. Em vez disso, os objetivos da mostra são oferecer condições expositivas adequadas às peças selecionadas e favorecer a experiência individualizada, reflexiva, do visitante com cada uma delas, de modo a deixar em aberto, como o resultado parcial de um jogo, possibilidades de articulação entre as pinturas, as esculturas, os desenhos, as fotografias e os objetos aqui reunidos. O que também não significa serem a escolha e a distribuição das obras no espaço resultados da busca por neutralidade ou de um desejo de ser imparcial. Pelo contrário. A curadoria se orienta por um pensamento comprometido com o exercício da crítica que não se resolve na ilustração de uma tese, mas, sim, no embate com os trabalhos.

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